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19
mar-2014

Nosso primeiro paradeiro: comunidade Alto Santa Maria. Essa é uma comunidade de pomeranos instalada nas encostas da serra do município de Santa Maria de Jetibá no Estado do Espírito Santo.

Aqui vivem aproximadamente 1500 pessoas e pela estimativa quase 90% são de pomeranos, que seguem fortemente suas raízes. Com a Pomerânia passando por muitas dificuldades, a partir de 1860 a imigração dos pomeranos, que buscavam ser donos de terras, se intensificou no Brasil. Para onde iam, depois de desembarcarem no porto do Rio de Janeiro, era decisão do governo brasileiro, que lhes destinavam pequenos pedaços de terra medidos a olho. Além do Rio Grande do Sul, o Espírito Santo também recebeu muitos imigrantes pomeranos. Nessa época este Estado, que antes era mantido desabitado estrategicamente para dificultar a chegada à Minas Gerais pelo mar, passou a visar o seu desenvolvimento próprio.

A língua pomerana em Alto Santa Maria é falada praticamente por todos. O português é aprendido na escola como segunda língua, portanto, é difícil encontrar crianças com menos de 03 anos que saibam falar o português.

Os mais velhos também não falam o português, mas esses porque fazem parte de uma geração que não pode ir a escola. Não porque não existia escola naquela época, mas porque com o nacionalismo de Getúlio Vargas foi proibido falar alemão e pomerano nas escolas. Como os professores da época só falavam pomerano e alemão, ficou difícil encontrar quem viesse dar aula em português para aquelas crianças, que hoje formam a geração com mais de 70 anos.

De cor azul ou verde os olhares pomeranos são, de um modo geral, firmes e silenciosos, e não nos revelam de imediato suas histórias e fatos cotidianos. Aqui tivemos que nos ajustar às poucas palavras.

Dizem de si principalmente pelo gesto da persistência. No trabalho acocorados à terra, ocupados com suas plantações de hortaliças, legumes e verduras, não erguem os olhos para o ermo. Não evocam o cansaço, a falta de recursos ou as condições climáticas como fonte de desolação. Seguem se mantendo firmes nos afazeres árduo, pesado, ao mesmo tempo delicado e quase artesanal do plantio e da colheita que não usa grandes máquinas. Permanecem silenciosamente curvados semeando uma a uma as mudas, puxando as ervas daninhas e colhendo as folhas.

Os pomeranos de Alto Santa Maria são pequenos agricultores e trabalham incansavelmente nas suas hortas de repolho, café, alface, beterraba, inhame, batata, milho, espinafre, couve, rabanete, berinjela, tomate, aipim, cenoura, vagem, tomate, cebolinha, salsinha, entre outros.

Em cada casa se vê uma grande horta ao redor e todos os membros da família trabalhando em conjunto. Um trabalho familiar que ergue o espírito de união entre eles.

São donos de suas terras e, na grande maioria dos casos, são os membros da própria família que fazem todo o serviço. Assim, logo cedo de manhã, todos saem para roça, com exceção das crianças em idade escolar. Assim, é muito comum, por exemplo, ver bebês em carrinhos, tipo um berço, feito de madeira com rodas, para acompanharem os pais no trabalho da roça. Brincam, dormem lá dentro e quando querem pedem para dar uma escapada e brincar um pouco na terra.

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Um pouco mais velhos ganham a sua própria enxada e imitam o gesto daquilo que acompanham tão de perto.

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Eles vão uma vez por semana para as cidades de Vitória e Colatina, vender seus produtos nas feiras. Grande parte produz produtos orgânicos e muito se orgulham disso.
Um pouco que se caminha pelas estradas de terra que cortam a comunidade, se vê uma paisagem de diferentes tons de verdes pelas hortas e uma diversidade de cores estampadas nas paredes das casas. Casas amarelas, azuis, vermelhas, verdes, cor de rosa, combinando com as flores e com os ornamentos delicadamente construído por eles. Tudo finamente decorado e extremamente organizado.

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Aliás, organização é a palavra de ordem, haja vista as cozinhas e fogões. O fogão a lenha azulejado tem um espaço bem raso para o fogo e uma tampa que cobre a entrada da madeira, não dando margem para a fuligem se espalhar ao redor das panelas.

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Texto e fotos: Renata Meirelles

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