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18
set-2012

Projeto mapeia brincadeiras infantis de todo Brasil

A matéria pode ser lida no site do PorVir ou a seguir:

18/09/2012  Por Vagner de Alencar

Na era dos videogames com sensores de movimento, as crianças ainda brincam de bolinha de gude, soltam pipa com rabiola feita com papel de bala, pulam amarelinha e elástico. Em muitas regiões do país, as brincadeiras tradicionais continuam bastante vivas. E para mapeá-las e difundi-las, uma dupla está percorrendo os cinco cantos do Brasil para dar vida ao projeto Territórios do Brincar, iniciativa que pretende escutar, trocar saberes e registrar a cultura infantil brasileira.

A educadora Renata Meirelles e o documentarista David Reeks são os responsáveis pelo projeto que iniciou em abril deste ano. Ao todo, a dupla vai percorrer sete regiões diferentes até dezembro de 2013. Após a viagem, a jornada vai se tornar um longa-metragem, um livro e uma série para a TV, além de exposições, cursos e palestras. A iniciativa é apoiada pelo Instituto Alana, ONG que desenvolve projetos voltados à infância.
O primeiro destino do roteiro foram as comunidades pomeranas (que formam uma etnia descendente de tribos eslavas e germânica), no Espírito Santo, onde acompanharam a forte tradição dos casamentos. Desde pequenas, uma das brincadeiras favoritas das crianças é simular as cerimônias. Eles organizam toda a festa, desde a compra e preparo dos alimentos até as danças e rituais.

Nesta semana, o casal se despede da comunidade de Acupe, subdistrito de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, onde estão desde o começo de julho. A região foi escolhida por conta das manifestações populares que têm a participação ativa das crianças e que acontecem durante todo o mês de julho como é o caso do Nego Fugido, a Careta de Papelão e a Careta de Borracha. Durante os festejos, as crianças criam máscaras e brincam capturar uns aos outros.

O próximo destino será uma aldeia indígena no Mato Grosso, no Xingu, onde ficarão um mês. Segundo Renata, o foco do trabalho é entender as brincadeiras e manifestações culturais sempre sob o olhar das crianças. “O bacana é ver como as crianças fazem as releituras daquilo que acontece na brincadeira tradicional, que não necessariamente vêm em forma de amarelinha, de pipa, de pular elástico, mas que pode vir também de outras coisas”, afirma.

De acordo com ela, a maior preocupação do projeto é traduzir o brincar para o universo da educação. “O que percebo que é as escolas, de uma forma geral, não aproveitam do que já é das crianças. Muitas vezes, elas não se atem a forma como as crianças apreendem as coisas, como lidam com os seus fazeres e brincadeiras. Isso ainda é desconhecido no universo da educação”, diz. “Os professores precisam traduzir as relações que estão por trás das brincadeiras e entender o potencial humano que o brincar tem e como as crianças podem criar essa linguagem para si como forma de aprendizado também.”

O primeiro contato nas regiões acontecem por meio das escolas, onde eles apresentam aos educadores e às crianças o intuito do projeto. Nesses encontros, são expostos vídeos de trabalhos anteriores e então oficializado o convite para o intercâmbio de saberes, que acontecem de acordo com o roteiro proposto pelas crianças: na escola, rua, praças e outros espaços.

Ao final de cada itinerário, Renata e Reeks voltam às escolas e às secretarias para mostrar, por meio de fotos e filmagens, o recorte que fizeram durante a estadia no local. A ideia é valorizar a cultura do lugar, muitas vezes, desapercebida pelos moradores. “Às vezes, as escolas não veem aquilo que está fora do mundo delas. Nossa mensagem é que o aprender não acontece apenas dentro das unidades de ensino”, revela Renata.

Cursos e oficinas

Como forma de contrapartida à estadia em cada município, Renata organiza ainda cursos, oficinas e palestras para os moradores locais. No Espírito Santo, organizou uma exposição de brinquedos. Já no Recôncavo Baiano, Renata ministrou palestras sobre a cultura do brincar para todas os diretoras e coordenadores do município de Santo Amaro e também uma palestra e oficina na secretaria de ação social com 20 coordenadoras do PET (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil).

Outra parceria acontece também com seis escolas privadas de São Paulo, Bragança Paulista, Cotia e Florianópolis. A educadora, a partir do trabalho que vem desenvolvendo, se reúne, mensalmente, com os colégios para trocar experiências e identificar novos olhares e propostas quanto à cultura do brincar. “Quando a gente fala de brincadeiras, não estamos falando do novo, mas de algo que já é do homem. O novo é como a gente olha para isso, como a enxerga relação da criança com o brincar”, afirma.

É possível acompanhar a jornada do casal através do site do projeto, com atualizações quase em tempo real com fotos, textos, vídeos e áudios.

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