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05
out-2015

Documentário mostra diferentes formas de brincar nas regiões do Brasil

A matéria pode ser vista no site Adital ou a seguir:

Ana Cristina Campos
Agência Brasil

Projeto Território do Brincar mapeou, entre abril de 2012 e dezembro de 2013, as muitas formas de brincar em comunidades rurais, indígenas, quilombolas, das grandes metrópoles, do sertão e do litoral

A pista de tampinhas criada pelos meninos da comunidade de Acupe, no Recôncavo Baiano [Estado da Bahia]; as brincadeiras da queixada e do tucunaré das crianças da terra indígena Panará, no Pará; E a cantiga da Lagarta Pintada, cantada pelas meninas no litoral de Tatajuba, no Ceará, se juntam aos carrinhos e às tradicionais brincadeiras de bonecas.

O universo lúdico infantil de Norte a Sul do país é tema do documentário Território do Brincar. O longa-metragem faz parte do Projeto Território do Brincar, uma parceria com o Instituto Alana, que mapeou, entre abril de 2012 e dezembro de 2013, as muitas formas de brincar em comunidades rurais, indígenas, quilombolas, das grandes metrópoles, do sertão e do litoral. Além do filme, a iniciativa conta com exposição itinerante, duas séries infantis para a TV e um livro em produção.

A educadora Renata Meirelles, coordenadora do projeto, conta que uma das propostas é aproximar o adulto do universo infantil. “Quando a gente opta por olhar o brincar, a gente opta por trazer o que há de mais belo e potente na infância. Com o filme, a gente quer aproximar as pessoas do que há de mais potente no ser humano e relembrar isso para os adultos”.

Outra ideia do projeto, diz Renata, é mostrar a diversidade do Brasil a partir das crianças. “O que a gente gostaria, com esse filme e com o projeto em geral, é espelhar a beleza que somos como país e como pessoas. A importância do filme é a escuta da criança, para que ela nos espelhe tudo isso”, diz a educadora, que fez o filme em parceria com o marido, o documentarista David Reeks.

Para a coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento, Adriana Friedmann, brincar é essencial na vida de qualquer criança desde que nasce. “Além de ser um fenômeno que é da natureza de qualquer ser humano, é uma das linguagens espontâneas através das quais a criança se expressa, descobre o mundo, as pessoas e os objetos à sua volta, aprende e incorpora valores, e as singularidades das diferentes culturas com as quais se conecta”, afirma.

Segundo a pedagoga, a brincadeira tem o potencial de promover o desenvolvimento integral das crianças nos aspectos físico, emocional, social e cognitivo. “No ato de brincar, a criança está absolutamente mergulhada em um espaço sagrado, conectada profundamente com o presente de forma orgânica, corpo, sensações, emoções e todos seus sentidos participam destes processos. Brincar é a possibilidade de viver a fantasia, a imaginação, imitar o mundo adulto, o mundo animal e a natureza. Brincando as crianças são desafiadas a se superarem, a descobrirem. Brincar é a forma de as crianças fazerem poesia e nos contarem quem são, o que sentem, o que vivem, seus medos, suas preferências, seus potenciais e suas limitações”.

O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Lúcio Teles acredita que os pais devem evitar o uso excessivo de brinquedos eletrônicos e joguinhos em tablets e celulares. “Hoje, a criança tende a ficar muito em casa, sempre conectada, pode ter problemas de obesidade e se tornar mais arredia, tímida, porque não sabe vivenciar a experiência social da brincadeira. Isto é um desafio [para as famílias]. A Internet brasileira é muito poluída com vídeos e informações, que não são adequadas para crianças, com mensagens de ódio e racismo. Se a criança não tiver uma boa orientação dos pais, ela tende a ver isso como normal”, destaca o educador.

Uma das saídas apontadas por Adriana Friedmann para o resgate do brincar nos centros urbanos é que a família desperte a memória e a vontade de ensinar e brincar com as crianças as cantigas, histórias e os jogos que aprenderam na sua própria infância. “Um mundo lúdico se abre em cada núcleo familiar. Quando a criança vai para o coletivo, para a escola, os educadores passam a ter esse papel de resgatar brincadeiras tradicionais populares e convidar cada criança a trazer as das suas famílias”, completa.

Assista ao vídeo sobre o documentário:

Mais informações em

http://territoriodobrincar.com.br

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