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12
dez-2016

Brincadeiras tradicionais do Brasil: um salve à cultura da infância

Texto: Carolina Prestes | Fotos: Renata Meirelles

Publicado originalmente no Jornal Mundo Jovem, da PUC RS

 

Entre 2012 e 2014, a educadora Renata Meirelles e o documentarista David Reeks, coordenadores do Projeto Território do Brincar, rodaram o Brasil na busca por observar e registrar as sutilezas dos gestos infantis e a espontaneidade do brincar. A dupla visitou comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, sertão e litoral e entrou em contato com a potência das infâncias brasileiras, tão diversas e permeadas por imaginários e vivências profundas.

Neste encontro com a cultura da infância, uma imensidão de brincadeiras foram descobertas: brincadeiras típicas de cada região brasileira ou reinventadas a partir das culturas e dos saberes locais. As crianças são naturalmente interessadas pelo mundo, estão, a todo o momento, criando e, por meio do brincar, ressiginificam seus cotidianos e a cultura em que estão inseridas.

Os saberes e fazeres regionais, que atravessam gerações, são alimentos importantes para as narrativas que se estabelecem no brincar. As ditas ‘brincadeiras tradicionais’, muitas vezes consideradas extintas, na realidade se atualizam a cada nova geração e estão mais vivas do que nunca nas diversas regiões brasileiras!

pomeranos2Encontramos um exemplo bastante expressivo desta transmissão de saberes intergeracional na comunidade Pomerana de Alto de Santa Maria, no Espírito Santo. Ali, de tanto observar os adultos trabalhando nas marcenarias, as crianças logo começam a fazer seus próprios brinquedos de madeira. Com habilidade imensa, constroem carrinhos completos, com rodas e eixo, capazes de transportar crianças menores. Com o brinquedo pronto nas mãos, passam a tarde passeando pelas estradas de terra da região.

 

 

acupe2Em Acupe, no Recôncavo Baiano, as celebrações populares também indicam forte ligação entre as brincadeiras e a cultura da região. Todo mês de julho, a comunidade se mobiliza para construir as famosas caretas de papelão. Crianças, velhos e jovens fantasiam-se e tomam as ruas da cidade. Começa o corre-corre. Para cutucar as caretas, é preciso bravura e pés espertos, pois elas não deixam barato: perseguem com afinco os seus provocadores! Ano a ano, o exercício da coragem é vivido pelas crianças nessa intensa manifestação popular.

 

 

panara1Na comunidade indígena Panará, no Pará, os saberes e fazeres ancestrais também embalam as brincadeiras da região. Ali o pião de tucumã é brinquedo típico, feito por todas as gerações da família. Netos observam atentos os dotes de seus avós para, em seguida, construírem seus próprios piões.

 

 

 

panara2Os Panará também fazem o balanço de embira, fibra extraída da casca de árvores da região. A brincadeira é simples: uma pessoa senta na balança e a outra gira, gira, gira, até que toda a corda de embira esteja retorcida. Depois é só soltar e… Vertigem pura! Uma experiência corporal que fascina.

 

 

 

jaguarao2Em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, ‘encilhar’ um cavalo e laçar um boi são motivos de muito orgulho. Mas, por onde começar? Ali as crianças constroem seus próprios bois e, sob a tutoria de um adulto da família, são iniciadas nesse desafio. As tentativas para fisgar o bicho configuram-se como uma grande brincadeira!

 

 

 

Estas são algumas das inúmeras brincadeiras que ocorrem Brasil afora. Basta olharmos com atenção e interesse para as crianças e enxergaremos as belezas que elas produzem diariamente.

 

Sugestões de leitura para aprofundamento sobre o tema:

  • MEIRELLES, Renata. Cozinhando no Quintal. São Paulo: Terceiro Nome, 2014.
  • MEIRELLES, Renata. Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil. São Paulo: Terceiro Nome, 2007.
  • MEIRELLES, Renata (org). Território do Brincar: diálogo com escolas – São Paulo: Instituto Alana, 2015 – Disponível para download gratuito em: territoriodobrincar.com.br
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