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Quem foi que disse
Que janeiro não saía
Boi Janeiro está na rua
Com prazer e alegria
Lá vem o sol
Lá vem a lua,
Lá vem meu Boi Janeiro
Passeando pela rua

A música começa e os meninos vestem o chinelo e mal têm tempo de avisar a mãe aonde vão. Não podem perder a chance de atiçar o Boi que vêm pelas ruas de pedras partidas do município de Itaobim, no baixo Vale do Jequitinhonha. O Boi vem sem dó, corre para pegar, assusta, é grande, faz balanceio de corpo inteiro. Pegar mesmo ele não pega não, mas que dá medo dá. E quem não quer sair nas ruas para viver ano a ano o medo, a coragem e a conquista de conseguir provocar o Boi?

Todo ano a mesma coisa e assim os meninos vão crescendo enquanto o Boi fica daquele mesmo jeitinho de sempre. Ah, como é bom crescer ao lado de brincadeiras que não mudam, variam uma coisa aqui outra acolá, mas na essência permanecem perpetuando as tradições. Essas manifestações são uma chance incrível para a meninada experimentar as etapas de crescer e galgar novos jeitos de estar no mundo.

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Menino pequeno muitas vezes assiste pela janela o Boi passar, no próximo ano quem sabe dará conta de ficar na calçada, mesmo que escondido atrás de uma árvore. Mais um ano e, talvez, acompanhado de um amigo mais corajoso, sairá pelas ruas atrás do Boi. E então… chegará o ano que irá vibrar pela alegria de ter conseguido provocar o Boi com valentia, correr dele e ainda caçoar dos menores que só observam da janela o Boi passar.

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Pisa na linha
Levanta o boi
Levanta meu boi do chão
Boi boi
Boi de sinhá
Levanta janeiro
Para nós vadiar

Para quem acha que mês de janeiro não é mês de Boi, engana-se, no município de Itaobim, a terra da manga, o Boi de Janeiro está firme e forte.

Dona Efigênia aprendeu a gostar de Boi quando menina, “eu quando pequena gostava dessa brincadeira, e disse a mim mesma que quando crescesse ia ter um boi desses“, confessou ela sentada debaixo de um pé de siriguela no quintal de sua casa. Na sua infância era Maria Trovão que liderava a turma e colocava o grupo para entoar os versos com o Boi. Depois que Maria Trovão passou a estar mais perto dos trovões, não teve mais Boi pelas ruas de Itaobim por vários anos.

Cumprindo seu desejo, Efigênia fez reviver o Boi de Janeiro, hoje um grupo com 70 integrantes, de idades que variam de 3 a 80 anos.

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Dois estandartes com os desenhos do Boi e da Nega (personagens que fazem a brincadeira) vão a frente carregados por duas jovens de 12 e 14 anos. A Nega e o Boi seguem atrás fazendo a festa da criançada na rua e o grupo vem logo depois entoando as cantigas:

Cê tá doida nega
Cê tá doida nega
Ôh o remelexo dessa nega
Cê tá doida nega
Eu sou de longe
Queremos ir
O Santo ajuda
Para nós seguir
Lá em casa tenho uma nega
Na catinga tenho um boi
Solta a nega e amarra o boi

Até o ano que vem Boi de Janeiro, quando esses meninos estarão de volta às ruas.

Texto: Renata Meirelles

Fotos: David Reeks

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