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06
jul-2017

Brincar na natureza: potência e beleza dos gestos da criança

Brincar na natureza: potência e beleza dos gestos da criança

Renata Meirelles, do ‘Território do Brincar’, participa de seminário do Programa Criança e Natureza

          Por que as crianças passam a maior parte do tempo em lugares fechados, se elas têm verdadeira paixão pela natureza? Esse foi o mote “II Seminário Criança e Natureza”, com o tema “Desemparedar a Infância”. Renata Meirelles, coordenadora do programa Território do Brincar, esteve presente no evento e falou sobre os vários emparedamentos a que estamos submetidos, a partir de um olhar fenomenológico para os gestos do brincar. Confira algumas reflexões da palestra:

Emparedamento físico

  “Cada paisagem tem algo a nos dizer. Nos provoca de maneira diferente, nos mobiliza para relações anímicas do nosso ser.” Segundo Renata Meirelles, a natureza traz uma relação não fragmentada com a paisagem, já que não há uma intermediação, alguém que nos conduz. Esse pertencimento ao natural é fruto de uma relação absoluta e direta que temos com a natureza.

      Baseando-se em Bachelard, a diretora afirmou que a imensidão é uma provocadora do íntimo”. Para ela, é no distante, na vastidão, que mergulhamos em um processo interno. Assim, os cantinhos, as gavetas, os esconderijos, são lugares que nos devolvem para essa imensidão.  

       Para ilustrar melhor essa relação entre a natureza e a subjetividade humana, Renata dá o exemplo das florestas: “É o lugar dos anteparos, mas é quase translúcido. Você acha que vê, mas não vê.” E é esse mistério que cria a sensação do subjetivo, do medo, do não saber o que está por trás. Dentro dela vivem os encantados, que são a materialização desse estado de medo e mistério e de tudo que nos provoca.

aliceEmparedamento temporal

         “É uma quebra no que é contínuo, fragmentar o tempo perde a fluidez”. Segundo Renata, o brincar se transforma completamente de acordo com a paisagem e o tempo. Ela contou sobre a experiência que teve durante o período em campo filmando o curta-metragem “Waapa”, junto à comunidade Yudja: “Nos povos tradicionais os ciclos são extremamente marcados. Cada mudança dos processos naturais está ligada a uma percepção sensorial. Tempo e percepção sensorial estão em sintonia.”

           Ela trouxe a fala de Yabaiwa Juruna, liderança da aldeia Yudja, que afirma que: “o ciclo do tempo é claro: o rio nasce, deságua e volta para a nascente”. Desse modo, o passado, o futuro e o presente estão vivos em nós o tempo inteiro.

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Emparedamento do corpo

            Nas brincadeiras manuais, o corpo é ferramenta usada para materializar o desejo, e nesse “fazer brincando” perde-se a fragmentação entre corpo e alma, entre externo e interno. Desse modo, os pés, a língua, as mãos, todo o corpo é utilizado no processo de criação. “Esse é o momento em que a criança pensa: aqui é meu mundo, o meu espaço de criação”. Essa experiência se mantém na memória celular e não cognitiva, por isso se conecta com a memória humana ancestral.

          Renata ainda falou sobre a importância de entender como as crianças interagem com os nossos gestos. Para ela, o aprendizado acontece de forma bastante silenciosa, sem necessidade de grandes explicações. A criança precisa estar perto de alguém que saiba fazer, pois é observando o gesto que ela adquire confiança para tentar. “Não é preciso ensinar, é preciso fazer junto.”

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       Para quem está emparedado, Renata convida para a busca desse lugar: qual é o coletivo que me contém?

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  • Que esperança quando vejo as produções que realizam e a forma humana e sensivel com que dedicam o tempo nas pesquisas. Um olhar necessário em tempos de rupturas, fragilizados do humano. Temos que RECUPerar o fio Que perdemos… perdemos nossa rota, mas ainda nos restam esperanças, pois as crianças Merecem. Por elas não podemos desistir. Será que as amamos o suficiente por lutar por elas?

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