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19
mar-2014

Brincadeira da queixada (Nankiô)

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Os Panará contam que antigamente os bichos também eram gente. Assim como os humanos, os bichos também faziam aldeias, festas, caçadas. Os panará aprenderam com os bichos muitas coisas, como a plantar milho com o rato e o amendoim com a cotia. Antes da colheita do amendoim, os panará ainda hoje fazem a festa como a cotia ensinou e lembram dessa antiga história que é transmitida de geração em geração, desde há muito, muito, tempo.

Os panará também aprenderam com seus antepassados a brincadeira da queixada. As queixadas que são criadas na aldeia gostam de entrar nas casas e bagunçar todas as coisas e mexer nas comidas. Os ancestrais dos panará aprenderam a fazer a brincadeira com a queixada e mostraram para gente como é.

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Primeiro as crianças se pintam de jenipapo ou urucum, depois elas saem em fila cantando a música da queixada junto com um adulto que ensina como se brinca.

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Vão dançando em fila até chegar na casa no centro da aldeia, casa onde os homens se reúnem toda noite e onde também os meninos eram formados quando deixavam de ser crianças. Lá os meninos caem no chão “mortos” como as queixadas que são caçadas, um adulto pega criança por criança e vai ajeitando-as em roda como ajeitam as caças em um jirau para serem moqueadas (modo de assar as caças no calor da brasa e fumaça).

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Os antigos aprenderam com os bichos e até hoje ensinam as crianças. Nessa brincadeira, as crianças viram queixadas e recriam o modo como os antigos viviam quando os bichos eram gente. Brincar é uma forma do corpo entender as histórias que são contada pelos mais velhos. As crianças vivem em seu corpo a ancestralidade da história de seu povo.

Quem ensinou essa brincadeira para nós e para as crianças da aldeia foi o Sykiã.

Texto: Paula Mendonça
Fotos: Renata Meirelles 

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