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Há dias que os meninos de Tatajuba vinham nos contando sobre as arminhas de palha de coqueiro. Já conheci um arsenal de armas infantis, mas feito de palha de coqueiro, essa era novidade para nós.

A arma atira alguma coisa? Eu achava que sim. Não, ela não atira nada, mas lança o menino na vivência do guerreiro.

O quintal do Rodrigo tem coqueiro suficiente para armar toda a turma.

A gente mal chega no local e Gleistone e Antônio ajeitam as facas no shorts e escalam a árvore na caça das folhas. Filmar a espontaneidade dessas brincadeiras nos exige decisões rápidas. É preciso foco certeiro sem erro, pois as crianças sabem o que precisam, vão direto ao ponto, não esperam ajeitar o foco da câmera. Muitas vezes é necessário trocar a lente, ir buscar o tripé, pedir para uma senhora desligar o rádio para não atrapalhar a cena, enquanto isso, lá foram eles no tempo do instante do desejo. É muito difícil pedir para aguardar e ainda conservar a espontaneidade do primeiro ímpeto. Nós é que precisamos prever o inusitado e seguir o ritmo da infância.

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No momento da confecção dos brinquedos a gente respira mais aliviado, é possível tentar a melhor luz, mudar de lente, buscar ângulos diferentes, afinal, o momento é da concentração das mãos. Sentam-se ao chão e se dedicam a cortar, ajeitar, aprumar.

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Os olhos tentam enxergar a metralhadora, a pistola e a escopeta dentro da palha do coqueiro. Levam uns 30 minutos para esculpir o brinquedo no talo da folha. Brinquedo que tem que ser usado logo, pois mais alguns dias já começa a apodrecer.

Mesmo sabendo que é de noitinha que gostam de brincar com as arminhas, em incríveis caçadas de polícia e ladrão, toparam brincar de manhã para que conseguíssemos acompanhar as fugas e caçadas.

Confesso que duvidei se eles entrariam na verdade das armas e do guerreiro. Entraram.
A brincadeira de “polícia e ladrão”, tão típica em qualquer realidade, foi vivida intensamente dentro de um matagal, onde esconder e procurar era o fundamental. O policial que encontrassem um ladrão, apontava sua arma para ele e soava o ruído típico de tiros. Um esconde-esconde armado.

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Brincar com armas, atiradeiras e estraladores de pólvora tem sido recorrente em quase todas as comunidades que passamos. Seja de pau, de talo de mamão, tubo de PVC, de palha de coqueiro, ou comprada na loja de brinquedos, gostando os adultos ou não, lá estão elas no dia a dia dos meninos brasileiros.

Texto e fotos: Renata Meirelles

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