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11
dez-2018

Diálogos do Brincar #16 – ‘A Escuta do Corpo para Crianças’, com Jussara Miller

Da esquerda para a direita: Jussara Miller e Renata Meirelles

No dia 28 de novembro foi realizada a última edição de 2018 da série de videoconferências Diálogos do Brincar que apresentou o tema A Escuta do Corpo para Crianças. O encontro, conduzido por Renata Meirelles, recebeu como convidada a bailarina, coreógrafa e pesquisadora do movimento Jussara Miller que, entre outros temas, falou sobre a espontaneidade da criança ao investigar o seu próprio corpo e como em nossa sociedade atual somos acostumados ao “não movimento”.

Jussara, que também é professora na PUC-SP e no Salão do Movimento em Campinas, iniciou o bate-papo explicando um pouco sobre a técnica de escuta do corpo. Fundamentada no sistema Klauss Vianna, o trabalho era originalmente focado no público adulto, mas aos poucos “fui percebendo a necessidade de direcionar o trabalho para o público infantil”.  Ela destaca que para as crianças a experiência do corpo é como a experiência do brincar. Nesse sentido os pequenos não têm a experiência do corpo para saber coisas – como os adultos que fazem trabalhos corporais com objetivos definidos – para eles o importante é o processo.

Tendo em vista seus anos como professora, Jussara comentou que é muito importante que o corpo do próprio educador esteja sendo ouvido e sua própria história sendo respeitada, assim “A escuta do corpo da criança pode ser provocada pela escuta do corpo do educador”. E isso requer um estado de atenção contínuo.

“Nós somos convidados pela sociedade ao não movimento. Temos muitas cadeiras disponíveis pra gente o tempo todo na nossa vida. O tempo todo somos convidados ao corpo sentado.” Segundo Jussara, devido principalmente às tecnologias, cada dia que passa estamos mais anestesiados. Ela explica que o movimento é visto hoje como sinônimo de indisciplina; o enfileirado e sentado que é visto como disciplinado. Diz ainda que o mesmo se dá com a experiência na natureza, onde se movimentar no ambiente, pisar na terra, subir em árvores, por exemplo, é desencorajado.

A coreógrafa também abordou como o mercado voltado para o público infantil pode ser negativo para a sensibilidade do corpo. “Por conta da indústria as crianças estão acostumadas com o brinquedo pronto. O sinônimo hoje de qualidade de vida e conforto é o não movimento. Nossos desejos estão muito vinculados a isso”.

Para encerrar ela reafirmou a importância de conhecer essa escuta do corpo. “O movimento por si só já é uma descoberta. Sentir o chão, a terra… Os espaços vazios são como convites para o movimento. E nesse processo, a criança é uma exploradora do movimento por essência! ”

Assista ao debate na íntegra:

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