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01
jun-2017

Terreiros do Brincar estreia com sessões lotadas na Ciranda de Filmes

Terreiros do Brincar estreia com sessões lotadas na Ciranda de Filmes

 Texto: Ana Helena Oliveira | Fotos: Natália Cruz

Média-metragem faz parte do programa Território do Brincar, co-realizado pelo Alana; após a estreia ocorreu um bate-papo, seguido de uma apresentação cultural.

O filme Terreiros do Brincar, dirigido por Renata Meirelles e David Reeks, fez parte da programação da 4ª Ciranda de Filmes, que trouxe como tema ‘O que te nutre’. O lançamento no dia 25 de maio foi um sucesso de público. Previsto para acontecer em uma sala, o filme acabou lotando duas salas do cinema, em São Paulo. A produção audiovisual é uma co-realização com o Alana e produzido pela Maria Farinha Filmes.

Captado em viagens do Território do Brincar pelo Brasil, o média-metragem retrata 20 manifestações populares presentes em seis estados brasileiros, cujas festas apresentam um saber tradicional e um convite ao convívio intergeracional por meio do brincar coletivo. “Cada filme é um recorte, uma janela que se abre. Por trás dessas janelas há um território gigantesco. É a possibilidade de ver a força do brincar, a força do nosso povo brasileiro, de manter vivas essas brincadeiras. É disso que trata o Terreiros do Brincar”, afirmou Renata Meirelles ao abrir as  sessões do filme.  

As manifestações que se passam nos terreiros, espaços de intimidade das comunidades, onde podem se expressar e se unir em torno de um só fazer — como a Festa do Divino, a Folia de Reis e o Bumba Meu Boi — representam a diversidade cultural que compõe uma história e cuja experiência se imprime dentro de nós. Como afirmou o diretor David Reeks na estreia: “Esse filme é uma maneira de mostrar com gratidão tudo o que tenho visto e vivido no corpo”.

Nesses universos, as crianças participam de todas as etapas da festa, da preparação ao término. As relações que se tecem são tão importantes quanto o folguedo em si, expressão usada para nomear as festas populares, também chamadas de brinquedos. A criança observa o adulto, e o adulto que brinca torna-se uma referência belíssima para a criança. Monilson dos Santos, representante do grupo do Recôncavo Baiano Nego Fugido, presente no lançamento e no documentário, reforçou: “Existe uma importância do Negro Fugido na comunidade que é a construção de uma identidade. No fazer se produz conhecimento. Na brincadeira se produz um estado”.  

Os educadores e pesquisadores Soraia Chung Saura e Marcos Ferreira foram os convidados do bate-papo após as sessões, mediado por Renata Meirelles. Soraia, roteirista do filme junto com Renata, enfatizou o que o documentário traz à tona a criança como parte do mundo. “Nessas manifestações existe a hereditariedade, a criança sai do espaço familiar e vai para o comunitário, um espaço ampliado. Nessas comunidades todo mundo está cuidando da criança. Ela está solta, livre para experimentação.”

Nesse sentido, Soraia apontou para a necessidade de olharmos para as comunidades tradicionais e aprender com elas como educam suas crianças. Já os brinquedos permitem uma conexão com o sagrado e o anímico, algo tão necessário para nos nutrir nos dias atuais. Marcos Ferreira complementou: “Os brinquedos estão organicamente ligados ao tempo, mas não é o tempo humano. O resultado desta aproximação (pelo filme) nos possibilita ver de dentro. Quando a gente entra em contato com outra possibilidade de ser, podemos nos reinventar na nossa própria comunidade”.

Marcos enfatizou que para aqueles que vivem em espaços mais urbanos, talvez uma alternativa seja uma comunidade de destino, uma comunidade que se escolhe e para a qual a pessoa se muda. Tentar encontrar pessoas afins e fazer algo junto. “E quem sabe a gente ouse mais e comece a fazer festa”, conclui.

Renata encerrou o bate-papo convidando todos a brincar, regados pela música de Tião Carvalho e seu grupo. Paulo Dias, idealizador da Associação Cultural Cachuera! e que também estava presente na estreia e no filme, encerrou dizendo que é nosso dever olhar para o fio condutor da infância e valorizar as comunidades onde isso acontece.  

O filme “Terreiros do Brincar” está disponível para exibição pública pela plataforma VIDEOCAMP, basta cadastrar-se e organizar sua exibição!

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