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30
jun-2017

Renata Meirelles e David Reeks, do ‘Território do Brincar’, participam de conferência em Nova York dedicada a pesquisadores do brincar

Idealizadores do projeto, correalizado pelo Alana, compartilharam suas experiências em palestra na 43ª Conferência Internacional do ‘The Association for the Study of Play’ (TASP), em Rochester (NY), nos Estados Unidos 

A convite do designer e escritor Bernie de Koven, os cineastas Renata Meirelles e David Reeks foram a Rochester (NY), nos Estados Unidos, para apresentar o documentário “Território do Brincar” e o case do projeto homônimo durante a 43ª Conferência Internacional do ‘The Association for the Study of Play’ (TASP). A associação norte-americana se dedica, desde 1973, a pesquisas interdisciplinares e à construção de teorias a respeito do brincar ao redor do mundo.

O tema central da conferência foi ‘Playful Communities’ (‘Comunidades Brincantes’), em que Renata e David relataram as descobertas da pesquisa realizada em diferentes regiões do Brasil, ao longo de dois anos.

“Poder levar nossas reflexões e experiências para um grupo interessado em dialogar sobre a importância do brincar é parte de uma troca inspiradora de saberes sobre a cultura da infância mundo afora. O que mobiliza o Território do Brincar é se aprofundar em um brincar potente, sério e estruturante, e perceber a força desse brincar no ser humano” , disse Renata Meirelles.

Bernie de Koven, principal orador do evento e o nome homenageado na Conferência, é autor de vários livros sobre o brincar, incluindo um ebook que está disponível para download gratuito na internet “A Playful Path” (‘Caminho Brincante’). Para o escritor, o brincante tem a força transcendental do ser humano. “É preciso encontrar uma narrativa por dentro de cada jogo e olhar para dentro da condição humana que o brincar nos apresenta”, disse durante sua apresentação.

O brincar também foi abordado na Conferência pela perspectiva da autonomia da criança, na qual ela tem plena liberdade para se expressar por meio de suas palavras e gestos. Em sua palestra, a pesquisadora Shelly Newstead explicou sobre o chamado “playworking”, fundado em 1931 pelo arquiteto dinamarquês Sorense, que percebeu que crianças não gostavam de brincar nos playgrounds que ele fazia. Elas sempre acabavam se dirigindo a canteiros de obra. Dessa percepção, surgiram então os “Adventure Playground”, espaços para crianças fazerem o que quiserem e exprimirem sua máxima potencialidade, o que é bem diferente de construir locais especializados para brincadeiras.

Na fala do pesquisador Martin van Rooijen foi exposta a questão do risco no brincar e da resiliência das crianças em ambientes ao ar livre. Em sua palestra, ele comentou sobre as seis categorias da brincadeira com risco: o brincar em alturas; em altas velocidades; com ferramentas perigosas; perto de elementos perigosos; em pequenas lutas; e onde as crianças podem sumir ou se perder.

Para ele, o medo imposto sobre a sociedade tem aumentado os níveis de monitoramento, o que, consequentemente, inibe a liberdade do brincar. “Um equilíbrio é necessário entre reduzir perigos inaceitáveis e informar, equipar e empoderar as crianças para que atuem na sua própria segurança. Escutar suas experiências deve ser um mediador de princípios que determina o nível de risco no qual elas são expostas”, defendeu. Uma frase da filósofa Hanna Arendt sintetiza sua compreensão sobre o brincar: “Quem tenta destruir o imprevisível das ações, destrói o que é realmente humano.”

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  • Anna Carolina Meirelles Dias DE Carvalho disse:

    Que Orgulho Da Minha Filha!

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