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30
ago-2016

Movimento ‘Se essa Rua Fosse minha’ defende direito da criança à cidade

Texto e fotos: Carolina Prestes/ Território do Brincar

No último dia 26 de agosto, representantes de escolas, CEUs, abrigos, coletivos, ONGs, Fundações, entre outros atores, reuniram-se na UMAPAZ, em São Paulo, para discutir estratégias de escuta de crianças, na busca por construir uma cidade melhor para elas – e para todos!

O Movimento ‘Se essa rua fosse minha’ foi idealizado pelo grupo de ação ‘Escuta de crianças’, do Mapa da Infância Brasileira (MIB) e nasceu em defesa do direito da criança à cidade. O grupo acredita que o acesso à cidade é fundamental para a formação, para a educação e para o desenvolvimento integral das crianças e propõe uma reflexão sobre formas de ouvi-las a fim de compreender o que elas esperam para seus territórios. Integram a iniciativa a Associação Brasileira de Brinquedotecas, a Associação Cidade Escola Aprendiz, Criadeira de HistóriasProjeto InfânciasInstituto AlanaInstituto Elos e Movimento Boa Praça.

No encontro do dia 26/08, os profissionais presentes foram convidados a realizar uma escuta ativa das crianças de seus territórios, a fim de compreender o que elas desejam para a cidade em que vivem. As escutas serão realizadas e sistematizadas até o dia 12 de outubro e, posteriormente, os resultados serão copilados pelo grupo de ação do MIB e entregues ao prefeito ou à prefeita eleito (a). A ideia é que o olhar e as vozes das crianças sejam considerados na elaboração de políticas públicas pelo novo gestor da cidade.

Para chegar à construção das ferramentas de escuta, os presentes tiveram uma manhã repleta de inspiração. Adriana Friedmann, coordenadora do MIB e anfitriã do encontro, recebeu Wellington Nogueira, palhaço e fundador dos Doutores da Alegria, Renata Meirelles, coordenadora do Projeto Território do Brincar e Rodrigo Rubido, co-fundador do Instituto Elos. Os três compartilharam suas experiências de escuta de crianças, problematizando os desafios e os caminhos possíveis. Wellington falou sobre a importância do ‘olho no olho’. Para ele, que trabalha com crianças hospitalizadas a mais de 30 anos, é indispensável estar disponível para o encontro: “É preciso ter a cabeça oca para enxergar as oportunidades. Se a criança perceber que foi compreendida, o vínculo inicial acontece. Precisamos estar 100% presentes na construção do encontro”.

A educadora Renata Meirelles, que pesquisa o brincar há mais de 15 anos, compartilhou as suas experiências de campo. Ela, que viaja o Brasil com a família na busca por conhecer as diversas infâncias brasileiras, afirmou que para escutar as crianças é preciso haver cumplicidade e verdade na relação: “Viver a realidade do lugar é condição favorável à escuta. Quando estabelecemos uma relação verdadeira, criam-se propostas potentes”.

Por fim, o arquiteto Rodrigo Rubido, co-fundador do Instituto Elos, compartilhou os processos de escuta que realiza para construir os sonhos de jovens e crianças de comunidades ao redor do Brasil. A comunidade imagina o que deseja e ela mesma, de forma coletiva, faz o sonho se tornar realidade. Rubido afirmou: “A criança tem um potencial imenso. A ideia de que precisamos esperá-las crescer para nos relacionarmos verdadeiramente com elas está equivocada” e complementou que proteção em excesso pode diminuir esse potencial criador da infância.

Na parte da tarde, os participantes do seminário se reuniram em grupos, para uma dinâmica de World Café, conduzida por Rubido. Deste momento de co-criação, em que cada participante trouxe as experiências de seu território, surgiram estratégias de escuta, que serão aplicadas pelos profissionais durante o mês de setembro. Entre as ações estão: viver a cidade com as crianças e traduzir a vivência em respostas sobre a cidade que elas desejam; construir maquetes da cidade ideal, registrar as memórias dos moradores dos bairros, entre outras.

Ao final do encontro Adriana Friedmann lembrou a todos que as crianças não sabem menos do que os adultos, mas sabem outras coisas e que a sabedoria infantil não se manifesta apenas por palavras, mas pelos gestos, pelo corpo, pelas expressões artísticas, por isso, para escutar verdadeiramente uma criança precisamos de sensibilidade e entrega.

Que venham os próximos passos e que possamos, a partir da escuta das crianças, mobilizar os governantes e melhorar a qualidade de vida nas cidades! Uma cidade boa para a criança é boa para todos.

Veja fotos do encontro!

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