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05
maio-2016

3ª edição da mostra Ciranda de Filmes propõe reflexão sobre os mestres que nos sustentam em tempos de incertezas

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Falar em Ciranda de Filmes é relembrar bons momentos. Em maio de 2015, na abertura da 2ª edição da Ciranda, veio ao mundo o filme Território do Brincar. Mais de 800 pessoas presenciaram o nascimento do longa-metragem, que deu pistas sobre a beleza dos dias que viriam pela frente. Dias de inspiração, reflexão, emoção, trocas e aprendizados, dias que teremos a chance de viver novamente em breve!

Entre 9 e 12 de junho o Espaço Itaú de Cinema Augusta e o Cinesesc, em São Paulo, receberão a 3ª edição da Ciranda de Filmes, mostra de cinema com foco em educação e infância. A cada ano a mostra, que tem entrada gratuita, apresenta um tema norteador, sempre guiado por três grandes pilares: infância, aprendizagem e transformação. Em 2016, os filmes, as rodas de conversa, as vivências lúdicas e as oficinas dialogam com o tema ‘Mestres, referências para um tempo de incertezas’.

Conversamos com a cineasta Fernanda Heinz, diretora de ‘Sementes do Nosso Quintal’ que, ao lado da educadora, distribuidora e exibidora Patrícia Durães, criou a Ciranda de Filmes, com o objetivo de oferecer um espaço para reflexão e aprofundamento sobre os temas ligados à educação e à infância e evidenciar a potência do audiovisual para a transformação da realidade.

Confira abaixo a nossa conversa com ela e programe-se para participar desta grande ciranda!

[Território do Brincar] – Como surgiu a Ciranda de Filmes?

[Fernanda Heinz] –  O embrião da Ciranda surgiu quando eu estava pensando sobre o que fazer com o filme Sementes do Nosso Quintal. Eu não queria fazer um lançamento só para a comunidade envolvida. Além disso, percebi um crescente interesse pelo audiovisual como meio para reflexão sobre educação e infância. Iniciei uma pesquisa de filmes que falavam destes temas  – principalmente do circuito off – e coletei um material rico e extenso. Pensei em lançar o Sementes nesse contexto mais amplo, trazendo outras referências. Foi então que me falaram ‘você precisa conhecer a Patrícia Durães’.

A Patrícia trabalha com educação e cinema há muito tempo. Quando fui conversar com ela, apresentei a ideia de uma mostra de cinema que também pudesse ser um espaço de discussões mais profundas e ela se encantou no ato. Aprofundamos a pesquisa de filmes nacionais e internacionais, encontramos parceiros que dialogavam com os nossos propósitos – como o Instituto Alana – e assim nasceu a primeira edição da Ciranda de Filmes, em 2014, com o lançamento do Sementes do Nosso Quintal e do  Tarja Branca, que depois foram para os cinemas.

[Território do Brincar] – A quem se destina a Ciranda de Filmes?

[Fernanda Heinz] – Ao projetar a Ciranda, supúnhamos que existia uma grande demanda de educadores e famílias por filmes que ajudassem na reflexão sobre infância e educação e que tivessem uma abordagem mais sensível e poética. A suposição se confirmou. Estávamos no meio da semana, e às 9h da manhã já tinha fila para as sessões. Na primeira edição foram quase 3mil pessoas e na segunda 5mil. A diversidade do público e o encontro com pares foram experiências muito ricas. Temos educadores, pais e mães, pessoas de arte-educação, profissionais da saúde e aqueles que são interessados em cinema simplesmente. As oficinas de crítica, que também fazem parte da programação da Ciranda, buscam dialogar com esse público que gosta de cinema, e mostrar que a Ciranda não é exclusiva para pais ou educadores: a educação fala com o humano, com a vida e, por isso, a Ciranda é um espaço de todos! Queremos reforçar a ideia de que todos nós somos educadores e tirar o estigma da educação centrada da figura da escola – nesse sentido, um público diverso é fundamental para nós.

[Território do Brincar] – A Ciranda organiza-se a partir de um grande tema condutor. Qual é o tema deste ano?

[Fernanda Heinz] – Durante a segunda Ciranda surgiu o desejo de pensar em quem são as nossas referências, ainda mais em tempos politicamente conturbados como hoje. Veio, então,  a ideia  do ‘mestre’: quem são os nossos mestres? E não precisam ser apenas pessoas, mas linguagens, como a arte, e também espaços. A arte nos inspira, nos orienta, nos transforma. Assim, o tema da terceira Ciranda é ‘Mestres, referências para um tempo de incertezas‘. A curadoria dos filmes dialoga com este grande tema, bem como as oficinas, rodas de conversa e as vivencias lúdicas.

[Território do Brincar] – A Ciranda propõe essa diversidade de experiências e linguagens. Qual a importância da ludicidade para a proposta da mostra?

[Fernanda Heinz] – Na primeira Ciranda, com o Antônio Nóbrega abrindo e o Tião Carvalho encerrando com uma roda de Ciranda, percebemos que a ludicidade era extremamente importante para a experiência das pessoas e, na segunda edição, colocamos vivências lúdicas dentro da programação. Hoje, eu diria que as vivências fazem parte da espinha dorsal da Ciranda. São momentos de corpo e a reflexão e a aprendizagem precisam passar pelo corpo. Não consigo mais ver a Ciranda sem essas vivências. E também temos as oficinas, que são momentos ricos de troca.

[Território do Brincar] –  O que motivou a criação das oficinas?

[Fernanda Heinz] – O cinema é uma experiência mais individual, então inserimos outros momentos de troca. As oficinas cinematográficas que aconteceram na segunda edição da Ciranda superaram nossas expectativas. As pessoas vieram de outras cidades, buscando um olhar mais profundo, se envolveram de verdade, a fim de entender como a linguagem do cinema pode favorecer a reflexão sobre a infância e a educação. No ano passado tivemos a Oficina de crítica cinematográfica com o Sergio Rizzo e a Oficina Desvendando processos cinematográficos, com a equipe do Território do Brincar. Foram espaços para discussões profundas. Nesse ano as oficinas começam uma semana antes da abertura da Ciranda, para que as pessoas fiquem livres para curtir a programação da mostra.

 [Território o Brincar] Como é feita a curadoria dos filmes?

[Fernanda Heinz] – Eu e a Patricia que fazemos a curadoria dos filmes. Como temos olhares bem diferentes, a seleção fica super rica. A Patrícia tem um olhar mais voltado para mostras de cinemas, festivais e o próprio circuito. Eu busco filmes off, que não vão tanto para o circuito e também pesquiso em festivais internacionais. A Patrícia resgata filmes antigos, eu acabo trazendo os filmes mais inéditos, que não chegaram ou não chegarão ao país. Já estamos com mais de 40 filmes para essa 3ª Ciranda.

[Território do Brincar] – Poderia antecipar alguns destaques da mostra desse ano?

[Fernanda Heinz] – São muitos! A abertura da Ciranda  vai ser coroada pelo lançamento do filme Do Pó da Terra – um lindo relato sobre a relação do ser humano com o barro, por meio do registro do trabalho das ceramistas do Vale do Jequitinhonha (onde o trabalho com o barro é um saber que atravessa gerações). As rodas de conversa tratarão sobre os diferentes mestres que cercam nossas vidas: as pessoas (Mediador de Mundos), as artes (Mestre do Intangível) e os espaços (Mestre do Chão).

A natureza como mestre também se mostrou muito forte. O Instituto Toca e o Projeto Criança e Natureza vão oferecer uma sessão sobre este tema. Também teremos uma ‘Vivência do Barro’ com a educadora e ceramista Sirlene Gianotti. No fechamento, dia 11 de junho, exibiremos o filme da Gabriela Romeu – Meninos e Reis – e Jonas e o Circo sem lona, da diretora baiana Paula Gomes.  A Gabriela também vai dar uma oficina linda, sobre as representações da infância na história do cinema. Vale participar!

[Território do Brincar] Por que participar da Ciranda?

[Fernanda Heinz] – Vale a pena tirar três dias – ou parte dos dias – para acompanhar a Ciranda. É um mergulho fantástico, um espaço que traz referências que alimentam os sonhos e a utopia, que são tão importantes para quem lida com criança e também para sobrevivermos no mundo! A Ciranda também é um passeio, uma viagem ao redor do mundo e por várias culturas, um momento de encontro, de ludicidade, de brincadeiras. Quem vai adora e recomenda! É de graça, num super cinema. É imperdível.

 

Por Carolina Prestes | Território do Brincar

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